TEXTO AUREO
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor”, Atos 3.19
VERDADE APLICADA
O arrependimento genuíno não se limita à tristeza, mas traz mudança de pensamento e novidade de vida.
OBJETIVOS DA LIÇÃO
Compreender o significado do arrependimento genuíno.
Conhecer exemplos bíblicos de arrependimento genuíno.
Ressaltar os passos que acompanham o arrependimento genuíno.
TEXTOS DE REFERÊNCIA
NEEMIAS 9
1 E, no dia vinte e quatro deste mês, se ajuntaram os filhos de Israel com jejum e com sacos e traziam terra sobre si.
2 E a geração de Israel se apartou de todos os estranhos, e puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados e das iniquida-des de seus pais.
3 E, levantando-se no seu posto, leram no livro da lei do Senhor, seu Deus, uma quarta parte do dia; e, na outra quarta parte, fizeram confissão; e adoraram ao Senhor, seu Deus.
38 E, com tudo isso, fizemos um firme concerto e o escrevemos; e selaram-no os nos-sos príncipes, os nossos levitas e os nossos sacerdotes.
LEITURAS COMPLEMENTARES
SEGUNDA | At 3.19 O arrependimento conduz ao despertamento espiritual.
TERÇA | 2Co 5.17 O arrependimento leva à mudança de vida.
QUARTA | Jn 3 O arrependimento dos ninivitas.
QUINTA | 2Cr 33.11-14 O arrependimento genuíno atrai a Graça de Deus.
SEXTA | Jo 16.8 O Espírito Santo promove o arrependimento.
SÁBADO | Lc 3.8 O perdão deve ser acompanhado por frutos de arrependimento.
HINOS SUGERIDOS: 303, 548, 495
MOTIVO DE ORAÇÃO
Ore para que a Igreja permaneça sensível à voz de Deus
ESBOÇO DA LIÇÃO
Introdução
1- O significado do arrependimento
2- Exemplos bíblicos do verdadeiro arrepen-dimento
3- Verdades importantes sobre o arrependimento
Conclusão
INTRODUÇÃO
Logo após o povo de Israel se alegrar e celebrar, a Palavra de Deus produziu neles um arrependimento profundo e sincero (Ne 9). Esse fato nos proporciona lições importantes, como veremos nesta lição.
PONTO DE PARTIDA – Arrepender-se é escolher uma nova vida em Deus .
1- O significado do arrependimento
Desde o AT, o arrependimento genu-íno diante de Deus provoca mudança de pensamento e transfor-mação de vida naquele que se arrepende. Reconhecer essa verdade nos leva a re-fletir sobre a importância de passar a revista em nós mesmos constantemente, pedindo ao Senhor que sonde se há em nós algum caminho mau (Sl 139.23).
1.1. O arrependimento bíblico. No NT, o termo grego metanoia tem o sentido de “mudança de pensamento e propósito”. Não se trata aqui de remorso, mas do verdadeiro despertamento espiritual. Em Romanos 12.2, o Apóstolo Pau-lo ensina à Igreja que a transformação produzida pelo Evangelho de Cristo passa pela renovação da mente (metanoia). Portanto, o arrependimento a que se refere a Bíblia não é algo superficial, mas tão profundo que leva o ser humano ao novo nascimento em Cristo Jesus. Deus nos adverte so-bre nos arrependermos de nossos pecados: “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras”, Ap 2.5a. O arrependimento como condição para se viver a chegada do Reino de Deus foi pregado por: João Batista (Mt 3.2); Jesus (Mc 1.15; Mt 4.17); Pedro (At 2.38; 3.19); Paulo (At 26.20) e todos os Apóstolos (At 5.29-31).
Bispo Abner Ferreira (2017, L.4): “O verdadeiro arrependimento resulta em uma mudança de comportamento (Lc 3.8-14; At 3.19). O pecador arrependido se propõe a mudar de vida e voltar-se para Deus, e o resultado prá-tico é que ele produz frutos dignos do arrependimento (Mt 3.8). É como um viajante que descobre estar no trem errado; então, desce e toma a direção correta. Assim é o arrependimento”.
1.2. Arrependimento implica abandonar o pecado. O arrependimento é acompanhado por uma aversão real às práticas de pecado (Sl 119.128), que passam a ser vistas com repúdio pelo novo crente. Diante da Excelên-cia e da Presença de Deus, os conver-tidos passam a desprezar as práticas erradas que outrora os dominavam (Jó 42.5,6). Eles experimentam uma tristeza real e profunda pela sua condição passada, o que resulta em arrependimento para a Salvação (2Co 7.10). Isso não é um fato isolado ou esporádico, mas comum na vida de todos que vivenciam o novo nasci mento. É impossível ser uma nova criatura em Cristo Jesus sem expe-rimentar o arrependimento genuíno pela condição de pecador. Quando pecou e fez o que era mau aos olhos do Senhor, Davi recebeu uma dura mensagem divina por intermédio do profeta Nată, mas ele se humilhou perante Deus, se arrependeu, e alcançou misericórdia (2Sm 11 e 12; Sl 51).
Bispo Abner Ferreira (2017, L.4): “O primeiro sintoma que surge em quem está no processo de arrependi-mento é a certeza de que algo está errado. Nessa hora, o pecador se sente indefeso, envergonhado e miserável (2Co 7.10). Sua primeira reação é re-conhecer que está perdido; e, como resultado da Obra do Espírito Santo, sente um vazio, sente que algo lhe falta e, após ouvir a Palavra de Deus, é impelido a confessar suas culpas (1Co 14.24-25)”.
1.3. O arrependimento conduz à Santidade. O verdadeiro arrependimento nos leva a uma nova vida em Cristo, baseada em uma nova mentalidade e em novas práticas (2Co 5.17). A Santidade é o estilo de vida do cristão: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto es-crito está: Sede santos, porque eu sou santo”, 1Pe 1.15,16. Em Atos 2.42, vemos os primeiros cristãos vivendo em unidade e em comunhão com Deus. A oração e a Palavra ocupam um espaço central na nova vida em Cristo, e o arrebatamento da Igreja passa a ser a nossa esperança. Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores, afirma que o primeiro chamado do crente é para a Santidade. Qualquer outro chamado ou vocação vem depois da Santidade. Em Mateus 24.12, Jesus faz um importante alerta para o nosso tempo: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”. O nosso amor não pode esfriar.
Bispo Abner Ferreira (2024, L. 9): “Santidade é o padrão da pureza ética e moral do crente em Jesus Cristo. Santificação é o processo que se inicia no novo nascimento e se estende por toda a vida do cristão”. Bispo Abner também menciona dois termos encon-trados nas cartas de Paulo aos Efésios e aos Colossenses (Ef 4.22-32; Cl 3.8-14): despojeis e revistais. Segundo ele: “São expressões que apontam para uma mudança radical na vida de todo aquele que passou pela experiência do novo nascimento e agora faz parte da Família de Deus”.
EU ENSINEI QUE:
O arrependimento genuíno leva à tristeza pela condição de pecado, seguida pelo afastamento do pecado e do viver em Santidade para Deus.
2- Exemplos biblicos de verdadeiro arrependimento
Na Bíblia, encontramos relatos de pessoas que erraram, mas se arrependeram. Algumas delas cometeram pecados terríveis, que aos olhos humanos seriam imper-doáveis; entretanto, Deus, em Sua infinita misericórdia, não rejeita um coração quebrantado e contrito (Sl 51.17). Vejamos algumas dessas histórias e seu desfecho.
2.1. O arrependimento de Manassés. Manassés foi, sem dúvida, um dos pio-res reis de Israel. Ele profanou o Templo do Senhor (2Cr 33.7); era cruel e assassino (2Rs 21.16); voltou-se para adivinhações e práticas de ocultismo, tendo matado os próprios filhos no fo-go (2Cr 33.6). Por fim, o juízo divino o atingiu, e ele se viu preso na Babilônia. Contudo, no pior momento de sua vida, Manassés se arrependeu de todos os seus pecados, se voltou para Deus com o coração contrito, orou e se humilhou perante Ele (2Cr 33.11-14). Devido ao arrependimento sincero e ao quebrantamento, Deus perdoou Manassés. A história de Manassés mostra como o amor divino alcança até mesmo o pior dos pecadores, oferecendo perdão e Salvação. Para aquele que se arrepende, o Senhor diz: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos co-mo a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a
Pr. Marcos Vieira Henrique (2000, L. 11): “Manassés foi o pior rei de Is-rael (2Cr 33.9); mas, ao se converter ao Senhor, ele tomou uma nova posição espiritual por reconhecer que o Senhor era Deus (2Cr 33.13b). Seus atos, a partir de então, demonstraram que ele havia voltado atrás em sua vi-da de pecados e, agora, era uma nova criatura (2Co 5.17). Ao retornar de seu exílio, agora convertido, Manassés fez uma limpeza espiritual em Jerusalém (2Cr 33.15-16)”.
2.2. O arrependimento de Ninive. O Profeta Jonas foi enviado por Deus a Nínive com uma dura mensagem de iminente destruição e juízo pelos terríveis pecados daquele povo: “Ε começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida”, Jn 3.4. Como resultado da pregação do profeta, o povo de Ninive creu, se arrependeu de seus pecados e se humilhou diante do Senhor. O rei proclamou um jejum, e todos os habitantes da cidade, e também os animais, jejuaram (Jn 3.4-9). O arrependimento levou Deus a oferecer perdão e livra-mento aos ninivitas. O exemplo de Nínive serve de farol para os nossos dias. Pelo anúncio do Evangelho pela Igreja, Deus manda que todos os seres humanos se arrependam, pois chegará o tempo do julgamento di vino (At 17.30-31).
Pr. Antônio Paulo Antunes (2023, L.6): “O improvável aos olhos do profe ta aconteceu: a perversa, imoral e idólatra Nínive se arrependeu e se converteu. A pregação de Jonas resultou em um grande avivamento naquele lugar, pois mais de cento e vinte e mil pessoas voltaram-se para Deus, ouvindo uma mensagem de sete palavras: ‘Ainda quarenta dias, e Nínive será subverti-da, Jn 3.4. Nem entre o seu povo, Jonas tinha presenciado tamanho feito, já que repetidas vezes foi dito a respeito dos dezenove reis idólatras de Israel: …e fez o que parecia mal aos olhos do Senhor”.
2.3. O arrependimento do filho pródigo. Dentre as Parábolas de Jesus, te-mos um relato emblemático de arre-pendimento genuíno: a Parábola do Filho Pródigo (Lc 15.11-32). O texto bíblico descreve um filho que deixa a casa do pai em busca de prazeres e satisfação; todavia, em pouco tempo, ele ficou sem dinheiro e sem amigos, vivendo numa condição tão miserável que desejava comer a comida dos porcos para saciar sua fome. Como nem isso lhe foi permitido, aquele jovem caiu em si, se arrependeu de suas más escolhas e voltou para casa. Ele esperava ser recebido como um dos empregados de seu pai; mas, ao chegar, encontrou a misericórdia e o amor de seu pai, que abraçou o filho e festejou sua volta. A lição aqui é clara: Jesus espera o arrependimento daquele que cai, a quem Ele oferece perdão e restauração.
Myer Pearman (2006): “E, levan-tando-se, foi para seu pai’ (Lc 15.20). Imediatamente, age à altura de sua resolução, tornando real o seu arre-pendimento. Crê no amor do pai e descobre-o maior do que imaginara: ‘E, quando ainda estava longe, viu-o seu pai. Não foi acidente ter sido o pai o primeiro a vê-lo. Sem dúvida, dia após dia, observava o caminho, na esperança de ver o filho voltar. O amor tornou-lhe o olhar telescópico. Teria o pai ido ao encontro do filho com rosto severo, embaraçando-o com repreensões? Não! ‘Se moveu de intima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. Assim também Deus aguarda a volta do pecador, velando sobre os primeiros sinais de arrependimento (Tg 4.8)”.
EU ENSINEI QUE:
Os exemplos bíblicos mostram que Deus perdoa e salva quem se arrepende genuinamente.
3- Verdades importantes sobre o arrependimento
Existem algumas verdades fundamentais para que o arrependimento produza mudanças significativas na vida do pecador. Com base em Atos 3.19 e 2 Coríntios 7.10, o arrependimento genuíno envolve reconhecer o pecado, confessá-lo a Deus, e abandonar as práticas contrárias à Sua vontade, buscan-do viver em obediência.
3.1. Remorso não é arrependimento. Depois de ter traído Jesus e vê-lo condenado à morte, Judas se arre-pendeu do que fez e jogou as trinta moedas de prata que recebera pela sua traição no Templo (Mt 27.3,4). Porém, em vez de buscar perdão e uma segunda chance, ele atentou contra sua própria vida (Mt 27.5). Por que cometeu esse ato se a Palavra de Deus diz que ele se arrependeu? A palavra grega usada para descrever o arrependimento de Judas é “metamelomai”, que tem o sentido de dor ou pesar, mas não necessariamente de mudança. Isso significa que, em-bora tenha sentido culpa e remorso pelo que fez, Judas não se rendeu aos pés do Salvador; pelo contrário, ele perdeu a esperança de um novo começo, por isso atentou contra a própria vida. O remorso leva o peca-dor a buscar punição pelos seus atos, enquanto o arrependimento genuino leva o pecador aos pés do Salvador.
Russell Norman Champlin (2002): “No grego foi usada uma palavra diferente daquela que é normalmente traduzida por ARREPENDIMENTO, conforme normalmente usada no NT. Significa ‘entristecer-se depois, sendo utilizada por apenas cinco vezes no NT (Mt 21.29,32; 27.3; 2Co 7.8; Hb7.21). A ênfase dessa palavra é remorso”. Por isso Judas “se arrependeu” (metamelomai) e ainda assim caminhou para a morte (Mt 27.3), ao passo que Pedro experimentou tristeza segundo Deus que produz metanoia e vida (cf. 2Co 7.8-10); o arrependimento bíblico é conversão concreta confissão, fé e frutos dignos (Mt 3.8). Em suma: remorso sente; arrependimento muda.
3.2. O Espírito Santo nos leva ao verdadeiro arrependimento. O arrependimento não resulta de uma força mental ou de preparo intelectual, mas, sim, da ação do Espírito Santo. Ele leva o peca-dor a arrepender-se verdadeiramente de seus pecados e experimentar uma vida nova em Jesus. Em João 16.8-11, Jesus diz: “E, quando ele vier, conven-cerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo. Do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado”. Por isso, devemos sem-pre pedir ao Espírito Santo, em oração, que toque o coração do pecador. Dentre outros nomes que revelam o Seu caráter (Is 11.2), o Espírito Santo é também chamado de Espírito de Cris-to (Rm 8.9), e Sua missão é glorificar a Jesus (Jo 16.14).
Myer Pearman (2006): “De que ma-neira o Espírito Santo ajuda a pessoa a arrepender-se? Ele a ajuda aplicando a Palavra de Deus à consciência, comovendo o coração e fortalecendo o desejo de abandonar o pecado. Isso conecta com Jo 16.8: o Espírito convence do pecado, e faz isso pela Palavra (Hb 4.12), penetrando a consciência, comovendo o coração e empoderando a vontade para romper com o pecado (Fp 2.13; Ez 36.26-27). Assim, Ele transforma remorso em metanoia: não apenas sentir dor pelo erro, mas crer, confessar e mu-dar de caminho com frutos dignos de arrependimento (Mt 3.8).
3.3. A responsabilidade do pecador arrependido. Para vencer o pecado, é necessário arrependimento (Ap 2.5), que deve ser acompanhado de uma nova maneira de viver, na qual o pe-cado não encontra mais espaço. João Batista chama isso de produzir frutos de arrependimento (Mt 3.8). Dessa maneira, a responsabilidade de quem se arrepende genuinamente é, após ex-perimentar a Graça divina, incorporar a oração e o estudo da Palavra de Deus em sua vida diária, bem como congregar em uma Igreja que lhe proporcione edificação e instrução bíblica. O arrependimento genuíno não se compro-va com lágrimas e palavras, mas com renúncia ao pecado e adoção de um novo estilo de vida. De outra forma, será como a semente semeada entre os espinhos: produz alegria no início, mas, como não tem raízes, não dura muito (Mt 13.20-21).
Bispo Abner Ferreira (2017, L.4), ao comentar sobre os frutos do arrependimento, enfatizou très aspectos: abandono das práticas do velho ho-mem, novidade de vida e diligência. Sobre ‘diligência, escreveu: “resulta da profunda convicção gerada pela Palavra de Deus e pela ação do Espírito Santo. A pessoa se torna plenamente consciente de que precisa estar em Cristo (Jo 15.3) e andar no Espírito (Gl 5.16) para não mais viver segundo a natureza pecaminosa. A diligência aponta para um viver não acomodado nem passivo, mas em constante reno-vação (Rm 12.1,2)”.
EU ENSINEI QUE:
O Espírito Santo age no coração do pecador para que haja arrependimento e Salvação, mas cabe ao pecador arrependido fazer a sua parte.
CONCLUSÃO
Deus nos salva pela graça em Cristo, e o Espírito Santo, por meio da Palavra, desperta fé e arrependimento como resposta. Esse arrependimento não é só remorso: ele muda a mente, o caminho e produz frutos. Após a conversão, permanece na santificação, mortificando o pecado e cultivando obediência. Assim, toda a glória é de Deus, que inicia, sustenta e aperfeiçoa a nossa vida em Cristo, fruto do arrependimento genuíno.