EBD Pecc (Programa de Educação Cristã Continuada) | 1° Trimestre De 2026 | TEMA: EZEQUIEL – O Atalaia de Israel | Escola Bíblica Dominical | Lição 01: Ezequiel 1 – O Livro de Ezequiel e Sua Visão Inaugural
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Em Ezequiel 1 há 28 versos, sugerimos começar a aula lendo, com os alunos, Ezequiel 1.1-14, 26-26 (5 a 7 min.). A revista funciona como guia de estudo e leitura complementar, mas não substitui a leitura da Bíblia.
Professor(a), é crucial que você ajude os alunos a compreenderem o contexto do exílio babilônico, um tempo de crise e aparente abandono. O ponto central da sua abordagem deve ser enfatizar a soberania de Deus, que se revela de forma majestosa na visão inaugural de Ezequiel. Mostre à classe que, mesmo longe do Templo, Deus não está limitado a um lugar e continua no controle de tudo. Conecte essa soberania à verdade de que Deus disciplina seu povo; o cativeiro não foi um acidente, mas uma ação divina para corrigir a rebeldia de Israel, Por fim, estimule a turma a adorar a Deus pela sua majestade, inspirando-se na reação do próprio profeta que, ao contemplar a glória do Senhor, prostrou-se em total reverência.
OBJETIVOS
Enfatizar a soberania de Deus.
Saber que Deus disciplina seu povo.
Adorar a Deus pela sua majestade.
PARA COMEÇAR A AULA
Inicie perguntando aos alunos qual foi a coisa mais impressionante ou grandiosa que já viram (um fenômeno da natureza, uma obra de arte, etc.) e que os deixou sem palavras. Use as respostas para criar uma relação com a experiência de Ezequiel. Explique que a aula de hoje é sobre uma visão tão majestosa que mal podia ser descrita com palavras, uma visão que revela a glória de um Deus que está presente e no controle, mesmo nos momentos mais difíceis.
LEITURA ADICIONAL
EZEQUIEL, O HOMEM
Ezequiel era o filho de Buzi; era um sacerdote, e provavelmente filho de um sacerdote. Foi levado para o cativeiro em 597 a.C., quando os exércitos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, tomaram Jerusalém depois de um breve cerco. Com o jovem rei Joaquim e “todos os príncipes, todos os homens valentes, todos os artífices e ferreiros” (2 Rs 24,14), foi removido do Templo, que haveria de ser sua vida, e estabelecido nas planícies poeirentas da Babilônia. No quinto ano do seu exílio, i.é, 593 a.C, veio a ele a chamada de Deus para exercer um ministério profético dirigido à casa de Israel. Se temos razão para pensar que o “trigésimo ano” referido em 1.1 era o seu trigésimo ano de idade, segue-se que Ezequiel era um homem jovem, com vinte e tantos anos, quando começou o exílio, e isto deixaria espaço para o período considerável durante o qual se estendeu seu ministério. A data mais avançada que é atribuída a um dos seus oráculos é o vigésimo-sétimo ano do exílio (29.17), e isto o levaria até a idade de 52 anos. Nada se sabe da sua vida à parte daquilo que é contido no livro que leva seu nome, nem existe tradição alguma que nos diga onde ou como morreu. Sabemos que era casado, e que sua esposa morreu na ocasião da queda de Jerusalém (24: 18). Era um homem de influência, sendo consultado pelos anciãos entre os exilados (8.1; 20.1); e embora isto talvez se deva ao seu ministério profético e à reputação que rapidamente adquiriu, é igualmente provável que seja atribuível à sua posição social herdada do seu pai, Buzi. Livro: “Ezequiel: introdução e comentário” (John B. Taylor. Edições Vida Nova: Mundo Cristão, 1984, p. 20-21).
TEXTO ÁUREO
E aconteceu no trigésimo ano, no quarto mês, no quinto dia do mês, que estando eu no meio dos cativos, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus. Ezequiel 1:1
Leitura Bíblica Com Todos : Ezequiel 1.1-14, 26-28
Verdade Prática
Deus é Santo e Justo. Ele não deixa o pecado sem punição, mas sempre oferece restauração e recomeço aos que se arrependem.
INTRODUÇÃO
I- O LIVRO 1.1-4
1- Estilo e contexto histórico 1.1
2- O objetivo 1.3
3- Temas centrais 1.4
II- A VISÃO DA GLÓRIA DE DEUS 1.5-25
1- Os seres viventes 1.5
2- As rodas 1.16
3- O firmamento e o trono 1.26
III- OS SIGNIFICADOS DA VISÃO 1.28
1- A presença de Deus 1.26
2- A glória de Deus 1.28a
3- A soberania de Deus 1.28b
APLICAÇÃO PESSOAL
INTRODUÇÃO
O livro de Ezequiel é um dos mais singulares de toda a Escritura. Escrito em meio ao exílio babilônico, em 592 a.C, reúne mensagens de juízo e de esperança, marcadas por visões extraordinárias e atos simbólicos carregados de significado espiritual. Enquanto Isaías pregara antes do exílio e Jeremias durante os últimos dias de Jerusalém, Ezequiel exerceu seu ministério no coração da Babilônia, junto aos deportados, revelando que o Deus de Israel não estava limitado a um templo ou a uma terra, mas permanecia soberano e presente mesmo no estrangeiro.
I- O LIVRO (1.1-4)
O título do livro deriva do nome do profeta, que é em hebraico Yehezqe’, traduzido como Ezequiel, e que significa “Deus fortalece”.
1- Estilo e contexto histórico (1.1) Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus.
O estilo literário deste profeta chama a atenção por ser marcado por um impacto visual fora do comum. Ezequiel foi o profeta que mais se valeu de recursos audiovisuais. Ele menciona nove visões, várias ações simbólicas, provérbios e alegorias. O livro de Ezequiel está imerso no cativeiro babilônico, um período de profunda crise nacional para Judá. Ezequiel é um profeta no exílio. Tinha mais ou menos a mesma idade de Daniel. Jeremias já devia ter mais de 50 anos quando Ezequiel é chamado para ser profeta e Isaías havia morrido uns 80 anos antes. Ezequiel estava com 25 anos de idade (em 597 a.C.) quando foi levado preso a Babilônia (seu ministério se inicia 5 anos depois) junto a 10.000 nobres (artífices, ferreiros) e os tesouros do templo e do palácio real (2Rs 24.13-16). Alguns dos deportados foram colocados em prisões, outros foram feitos escravos; mas à maioria foi permitido morar em suas próprias casas, em colônias judaicas (Jr 29.5). Ezequiel recebeu esta liberdade, estabelecendo-se em Tel-Abibe, localidade a cerca de 80 quilômetros a sudeste da Babilônia, junto ao rio Quebar (um grande canal do rio Eufrates que corria em volta da cidade). Ali, sua casa tornou-se um lugar de reuniões aonde os judeus vinham consultar a Deus (Ez 8.1;14.1).
2- O objetivo (1.3) Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do Senhor
O objetivo divino através do ministério de Ezequiel era duplo: a) Promover arrependimento e fé através do aviso de julgamento iminente sobre Jerusalém e demais nações; b) Estimular a esperança e confiança com a mensagem posterior de que um dia o povo seria novamente reunido, a cidade restaurada e um novo templo construído. A primeira mensagem foi enfatizada durante os seis primeiros anos do ministério de Ezequiel (592- 586). Ele afirmou que Jerusalém seria destruída, a Babilônia não cairia rapidamente (como diziam os falsos profetas) e o Egito era uma falsa esperança de auxílio, pois também seria conquistado pela Babilônia (29.6,7). Depois da queda de Jerusalém Ezequiel tornou-se o profeta da esperança e do otimismo, dando ao povo uma descrição detalhada da futura glória da nação e assim evitando que o povo se estabelecesse em definitivo na próspera Babilônia, e se esquecesse de Jerusalém.
3- Temas centrais (1.4) Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do Norte, e uma grande nuvem, com fogo a revolver-se, e resplendor ao redor dela, e no meio disto, uma coisa como metal brilhante, que saía do meio do fogo.
O tema central do livro é a glória do Senhor. Desde a sua aparição em um trono sobre rodas (cap 1) até o seu retorno ao templo restaurado (cap 43) o tema cobre todo o livro. A visão da glória do Senhor é contraposta com a decadência espiritual da nação, razão pela qual Deus (sua glória) está se afastando. Ezequiel também tem uma ênfase especial na responsabilidade individual (18.1- 4), rejeitando a ideia de que os filhos pagam pelos pecados dos pais, Ezequiel também proclamou uma mensagem de esperança pela qual, ressalta a soberania de Deus na história. Deus julga as nações, Israel e até indivíduos deixando claro o quanto é distinto dos ídolos das nações. Mesmo assim, o tema da restauração está presente.
II- À VISÃO DA GLÓRIA DE DEUS (1.5-25)
Das teofanias do Antigo Testamento, essa do capítulo inicial de Ezequiel é singular. Ele vê os céus se abrindo, permitindo-lhe observar a própria sala do trono de Deus.
1- Os seres viventes (1.5) Do meio dessa nuvem saía a semelhança de quatro seres viventes…
O que Ezequiel descreve é sem paralelo em todo o Antigo Testamento. O profeta vê quatro seres saírem de uma nuvem com fogo. Seus corpos eram humanos, mas cada um possuía quatro faces e quatro asas, Seus pés eram bovinos e brilhantes. Conectados aos seus corpos, embaixo de suas asas, havia mãos humanas. As faces da frente de cada figura eram humanas, mas as da direita, esquerda, e de trás eram de leão, boi e águia, respectivamente. Esses animais eram criaturas comuns no mundo de Ezequiel. O leão era reconhecido por sua ferocidade e coragem, sendo símbolo da realeza. A águia era o mais rápido e majestoso dos pássaros e o boi era o mais valioso dos animais domésticos. A aparição é toda ela dominada pelo número quatro: quatro seres, quatro faces, quatro asas e, como veremos a seguir, quatro rodas. Nos versos de 13 a 14 Ezequiel compara a estranha aparência dos seres como carvão em brasas, tochas e fogo ziguezagueando na rapidez de um raio. Tudo parece apontar para a onipresença, onisciência e onipotência divina. Deus estava presente e agindo na ruína e no entulho, usando soberanamente o desastre para sua própria glória.
2- As rodas (1.16) O aspecto das rodas e a sua estrutura eram brilhantes como o berilo; tinham as quatro a mesma aparência, cujo aspecto e estrutura eram como se estivesse uma roda dentro da outra.
O quebra-cabeça continua! Agora o profeta percebe que a aparição é equipada com rodas. Cada um dos seres tem um conjunto idêntico de rodas. As rodas eram extraordinárias por si só. Primeiramente eram complexas, uma dentro da outra e com absoluta facilidade de moverem-se em qualquer direção. Que surpreendente! Não é fácil visualizar o que Ezequiel viu! Em segundo lugar, as rodas eram magníficas para se olhar. Elas resplandeciam com um brilho do berilo e seus aros eram maravilhosos. Em terceiro lugar, o que poderia parecer apenas um objeto, revela-se um ser vivo, pois eram cheios de olhos ao redor nos fazendo crer terem elas sua própria fonte de vida, Dois detalhes parecem impressionar o profeta: a) seus movimentos são perfeitamente sincronizados com os das criaturas; b) Toda a harmonia percebida é atribuída ao espírito dos seres viventes. Nenhum profeta usa tanto a expressão “espírito” (rúah) como Ezequiel, razão pela qual muitos o chamam de “o profeta do Espírito”.
3- O firmamento e o trono (1.26) Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem.
A visão chega ao seu ápice. À atenção do profeta muda das rodas embaixo para uma forma acima das criaturas. Elas parecem estar suportando um firmamento (plataforma) sobre suas cabeças. Ele comenta, pela primeira vez, um som que ele tem dificuldades de descrever (muitas águas, voz do Onipotente, estrondo, tropel de um exército). Vinha do movimento das asas dos seres viventes. Em Êxodo 19.16 a aparição de Deus a Israel também foi acompanhado de sons específicos. Por fim, o olhar do profeta se volta para acima do firmamento, onde está o mais majestoso de todos os tronos jamais visto. Ele é feito inteiramente de safira, umas das pedras mais preciosas da antiguidade. Sentado no trono está uma figura por demais impressionante. Ezequiel reconhece que parece um ser humano, mas não era um homem comum. A parte superior do seu corpo reluzia como o metal e como o fogo e a parte inferior era igualmente fulgurosa. Mas o profeta não consegue definir o ser com exatidão. Tudo que pode fazer é comparar a visão com fenômenos conhecidos (como o arco em dias de chuva). À glória é por demais impressionante.
III- OS SIGNIFICADOS DA VISÃO (1.28)
Por ser essa a primeira e a mais gloriosa das visões, algumas explicações e aplicações se fazem necessárias.
1- A presença de Deus (1.26) Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem.
A visão de Ezequiel enquanto estava no exílio traz outra verdade consoladora. Deus estava com seu povo onde quer que eles estivessem. Ele não está limitado ao templo em Jerusalém nem a lugar nenhum. Para os exilados impedidos dos sacrifícios comuns ao templo, esta verdade foi tremendamente reconfortante. Sua presença ativa no meio do seu povo indica que Ele não é um Deus indiferente ou desinteressado. À visão encoraja Ezequiel e todos nós. Era como se Deus estivesse dizendo: “Ezequiel eu não abandonei o meu povo como alguns pensam” (11.15,16). Nos dias de hoje, ao enfrentarmos crises pessoais, políticas ou globais podemos continuar certos de que Ele está presente e assim descansar no seu cuidado, Ele também está presente nos nossos “”exílios” pessoais. Nos momentos de solidão, depressão, perdas e enfermidades. Ele estará conosco. Não vai embora. Deus reina aqui e agora. “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos, continua sendo sua promessa.
2- A glória de Deus (1.28a) Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da glória do Senhor. Tudo sobre a aparição proclama a glória de Deus e sua santidade (3.23).
O profeta tem dificuldade para descrever e sua busca por palavras é expressões somente ressalta a grandeza divina. Ele é diferente dos deuses das nações desenhados e representados por figuras ou esculturas. A glória de Yahweh desafia a descrição humana, seja verbal ou visualmente, Ele não pode ser reduzido a figuras, nem por representações algumas. Como representar um Deus tão glorioso por meio de madeira, pedra ou seja lá o que for? Sua glória é transcendente e, diferente das imagens pagãs, que requerem constante cuidado e polidura, o brilho de Yahweh emana do seu próprio ser. Deus é “o totalmente outro” numa definição clássica da sua grandeza. Ele está só no seu trono, incomparável e separado de todos os seres inferiores e criados por Ele mesmo.
3- A soberania de Deus (1.28b) vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava.
Essa é outra verdade evidente na visão de Ezequiel. Deus reina soberanamente sobre Israel e as demais nações. Suas criaturas são nobres, mas o entronizado é Ele, que detém o controle de todas as coisas. Em Sua maravilhosa providência e grandeza, Ele interfere nos assuntos das nações e não precisa pedir permissão para isso. Os judeus não foram meras vítimas da agressão da Babilônia ou do ódio descontrolado de Nabucodonosor, como se Deus nada pudesse fazer. Ao contrário, foi Ele quem permitiu que os babilônios subjugassem Seu povo para discipliná-lo por sua rebeldia. Deus está no controle absoluto dos eventos e transcende até mesmo o caos. Essa é uma verdade consoladora tanto ontem quanto hoje. Em tempos de dificuldades, como no exílio de Ezequiel, quando tudo parece dar errado, lembremos que Deus permanece no controle de tudo. Mesmo quando a situação parece perdida, devemos confiar que Ele está agindo em prol de um propósito maior.
APLICAÇÃO PESSOAL
A visão de Ezequiel nos lembra que a glória de Deus é indescritível, Sua soberania inquestionável, e Sua presença, constante. Diante disso, o cristão é convocado a viver em fé, adoração e confiança, mesmo em meio às maiores crises.
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