EBD | 1° Trimestre De 2026 | EDITORA BETEL | TEMA: OS DISCÍPULOS DE JESUS CRISTO – Crescendo em maturidade espiritual e vivendo a missão até a eternidade com Jesus Cristo | Escola Bíblica Dominical | Lição 05: A importância do jejum na vida dos discípulos de Cristo
TEXTO ÁUREO
“E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum” Marcos 9.29.
VERDADE APLICADA
O jejum bíblico é um exercício espiritual que expressa nosso interesse em buscar primeiro o Reino de Deus e a nossa completa dependência do Senhor.
OBJETIVOS DA LIÇÃO
Reconhecer o valor espiritual de jejuar e orar conjuntamente.
Identificar o jejum como uma prática vista em toda a Bíblia.
Ressaltando que Jesus afirmou a relevância do jejum.
TEXTOS DE REFERÊNCIA
MATEUS 4
1- Então, foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
2- E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; 3E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.
MATEUS 6
16- E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram o rosto, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
17- Porém tu, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto,
18- para não pareceres aos homens que jeruas, mas sim a teu Pai, que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará.
LEITURAS COMPLEMENTARES
SEGUNDA | Ed 8.21 Proclamando o jejum.
TERÇA | Dn 9.3 Buscando a Deus em oração e jejum.
QUARTA | 2Cr 20.3 A busca pelo Senhor em jejum.
QUINTA | Mt 6.16 O jejum não visa recompensas humanas.
SEXTA | JI 2.12 Deus se agrada do jejum de Seus servos.
SÁBADO | Ne 1.4 O jejum nos fortalece espiritualmente.
HINOS SUGERIDOS: 5,88, 370
MOTIVO DE ORAÇÃO: Ore para que a Igreja de Cristo continue a jejuar em consagração a Deus.
ESBOÇO DA LIÇÃO
Introdução
1- Compreendendo o jejum
2- A importância do jejum
3- A resposta ao jejum do justo
Conclusão
INTRODUÇÃO
Jesus não somente jejuou, como também ensinou a maneira correta de fazê-lo. Aliás, a Bíblia está cheia de citações de pessoas que fizeram uso desta disciplina espiritual e nos instrui quanto à maneira correta de praticá-la. Assim, por toda sua relevância, nesta lição, analisaremos essa experiência espiritual à luz da Palavra de Deus.
PONTO DE PARTIDA: Aspectos bíblicos sobre o jejum.
1- Compreendendo o jejum
O jejum é uma das disciplinas e práticas espirituais que têm acompanhado o povo de Deus desde o Antigo Testamento, como uma expressão de fé, contrição, total dependência de Deus, arrependimento, devoção. Veremos neste tópico a importância de conhecermos o que a Bi-blia diz sobre o jejum, para evitarmos os extremos de praticar sem o necessário discernimento ou desprezar esta prática presente na vida de Jesus Cristo após o batismo em águas e na igreja primitiva.
1.1. O jejum bíblico. O jejum bíblico pode ser definido como a abstinência de alimentos por um período de tempo com finalidades espirituais (Jl 2.12). Essa disciplina espiritual não deve ser usada para conseguir alguma coisa de Deus, como se fosse uma barganha, mas como uma expressão de humilhar-se diante de Deus (At 3.19,20).
Bíblia do Culto do Ministro (Editora Betel, 2022, p.272): “Os fariseus jejuavam duas vezes por semana (Lc 18.12), isto é, no quinto dia da semana, quando Moisés subiu ao Monte Sinai, e no segundo dia, quando imaginaram que ele desceria (Mt 9.14). Enquanto permaneceu com Seus discípulos, o Senhor não ordenou que jejuassem (Mt 9.15); mas também não condenou esse costume (Mt 6.16-18); antes de iniciar o Seu ministério, ele mesmo jejuou (Mt 4.2). Os primeiros cristãos jejuam, como na ocasião de serem separados Paulo e Barnabé para a obra missionária e quando os anciões foram eleitos (At 13.2,3;14.23). Talvez os jejuns de Paulo, mencionados em 2 Co 6.5 e 11.27, fossem de natureza voluntária”.
1.2. O jejum dos hipócritas. O jejum praticado por quem se mostra abatido, com o semblante descaído, é uma hipocrisia, pois o objetivo de quem age assim é se mostrar espiritual para os demais. Isso, porém, é algo que a Bíblia condena (Mt 6.16-18). Quem jejua não precisa tornar isso público, é entre você e Deus.
Bispo Primaz Manoel Ferreira (Revista Betel Dominical 3º Trimestre de 2016- Lição 7): “A maneira correta de jejuar trará ao servo de Jesus Cristo uma recompensa. Todavia, para que isso suceda, precisamos entender que o jejum é uma arma secreta; que, se usada ocasionalmente, assim como o esmolar, deve ser um ato alegre. Uma vez definido o alvo do jejum, que pode ser mostrar a Deus tristeza pelo pecado ou preparar-se para maiores desafios espirituais, devemos fugir de todo orgulho espiritual. A maneira de jejuar ensinada pelo Senhor Jesus é proceder como se fossemos a uma festa, ou seja, “unge a tua cabeça e lava o teu rosto”. Parafraseando o que foi dito: “Tome um banho e passe um bom perfume, como se você fosse a uma festa”.
1.3. Humilhando-se diante de Deus. O jejum é uma maneira de nos humilharmos diante de Deus. Esdras disse: “Apregoei ali um jejum […] para nos humilharmos diante da face do nosso Deus”, Ed 8.21. Neemias reuniu o povo “com jejum e pano de saco”, e os israelitas estavam abatidos por seus pecados (Ne 9.1-3). Naquele momento, o jejum e o pano de saco representavam submissão a Deus e arrependimento.
Pastor Adalberto Alves (Revista Betel Dominical 4 Trimestre de 2018 Lição 9): “A narrativa bíblica diz que os filhos de Israel se juntaram com jejum e pano de saco, além de trazerem terra sobre si (Ne 9.1). Todos os que pertenciam à linhagem de Israel se apartaram de todos os estranhos que viviam ao redor e se humilharam perante o Senhor, confessando os seus pecados e as iniquidades de seus pais (Ne 9.2). A partir do anúncio da Palavra, o povo foi quebrantado e, com jejum e oração, reconheceu e arrependeu-se de seus pecados. Ainda hoje, a Palavra de Deus, a oração e o jejum são recursos relevantes para nós, pois nos ajudam a ter disciplina e santidade na caminhada crista”.
EU ENSINEI QUE:
Jejuar é abster-se de alimentos por um período de tempo com o objetivo de nos aproximarmos de Deus.
2- A importância do jejum
No jejum, fortalecemos o espírito para que ele prevaleça sobre as coisas da carne. Essa prática nos ajuda a dizer não para os desejos e anseios humanos e nos ajuda a priorizar os valores eternos.
2.1. Jejum e arrependimento. Não podemos achar que o jejum é sinônimo de arrependimento ou contrição. Lembremos que Jezabel convocou um jejum (1Rs 21.9). Em Isaías 58.1-14,0 o profeta denunciou a conduta do povo, pois a essência do jejum que agrada a Deus não se resume a abster-se de alimento ou subjugar o corpo. A mensagem de Isaías confirma o que o salmista declara, ou seja, o jejum não deve ser uma prática isolada de outras atitudes (Sl 66.18). O jejum precisa ser acompanhado de humildade, contrição e oração, além de expressar disposição de mudança, de concerto e de negar-se a si próprio.
O Profeta Isaías nos mostra que o povo não tinha aprendido nada sobre o sentido espiritual do jejum, pois a razão principal dos seus dias de jejum era para o próprio contentamento (Is 58.3). Eles jejuavam e participavam de contendas e debates (Is 58.4), ou seja, jejuavam, mas não havia mudança de comportamento.
2.2. Jejum e oração. A Bíblia traz muitas passagens em que o jejum está associado à oração. De acordo com as Palavras de Jesus, há ocasiões nas quais a oração deve ser acompanhada de jejum, uma vez que há castas de demônios que só podem ser expulsas com oração e jejum (Mt 17.21). Contudo, não encontramos nas Escrituras uma ênfase no jeito como há em relação à oração. E, quando jejuamos, não devemos considerar que essa prática nos faz merecedores de ser atendidos em nossas orações. Na parábola de Jesus, o fariseu que orava e jejuava não foi justificado (Lc 18.11-14).
Bispo Primaz Manoel Ferreira (Revista Betel Dominical – 3º Trimestre de 2016 Lição 7): “O jejum é uma prática frequentemente mencionada na Bíblia e geralmente vinculada à oração. Davi jejuou quando seu filho recém-nascido adoeceu gravemente (2Sm 12.16). Daniel jejuava quando buscava uma orientação especial da parte de Deus (Dn 10.3). A igreja estava jejuando quando enviou Paulo e Barnabé para o campo missionário (At 13.2,3)”.
2.3. Jejum e domínio próprio. Em um tempo com tantas distrações e ativismo, a prática do jejum e da oração pode contribuir muito para exercitarmos a autodisciplina. Paulo menciona as competições atléticas para enfatizar a importância do domínio próprio (1Co 9.24-27). Ele se esforçava para não ser dominado pelos desejos carnais. Assim, a prática do jejum bíblico está entre as disciplinas espirituais que o discípulo de Cristo pode praticar para aumentar o autocontrole diante das tentações e adversidades da vida.
Bispo Abner Ferreira (Revista Betel Dominical 3º Trimestre de 2022 Lição 7): “Da mesma forma que ajudar os necessitados e orar, o jejum também deve ocorrer na privacidade do coração do discípulo (Mt 6.17,18; Lc 2.37). Visto que o jejum requer autocontrole rigoroso, é uma tentação importante comunicar sutilmente nossos esforços e vitórias aos outros. Embora isso possa ser feito de maneira inocente, Jesus nos avisa que revelar nosso jejum pode se tornar uma forma perigosa de orgulho e auto engano espiritual. O jejum pode ser individual ou coletivo (Jn 3.5). O individual trata com o particular de cada um, o coletivo visa sempre encorajar a Igreja a concentrar-se na Obra de Deus, pedir direcionamento, expressar a tristeza pelo pecado, a buscar o perdão na comunidade”.
EU ENSINEI QUE:
A Bíblia traz muitas passagens em que o jejum está associado à oração.
3- A resposta ao jejum do justo
Relatos de pessoas que Deus não decretou o jejum como algo obrigatório, mas muitos de Seus filhos jejuavam voluntariamente: Moisés (Dt 9.9); Davi (25m 1.12; 3.35; 12.16); Josafa (2Cr 20.3); Esdras (Ed 10.6); Neemias (1.4); Ester (Et 4.16); Daniel (Dn 9.3; 10.3); Jesus (Mt 4.2). Veremos, neste tópico, as lições que podemos extrair dos relatos do jejum de Ester, Josafá e Daniel.
3.1. Ester enfrentou o desafio com jejum. Vemos, na atitude de Ester, que jejuar é mais do que se abster de alimentos, é um propósito espiritual profundo na busca por intervenção divina. Ester pediu aos judeus da cidade de Susã que jejuassem por três dias, e eles assim fizeram (Et 4.16). O propósito daquele jejum foi pela sua ida até a presença do rei Assuero para pedir a intervenção dele diante do decreto de morte aos judeus imposto por Hama (Et 4.1-3).
Bispo Abner Ferreira (Ester. Editora Betel, 2020, p. 90): “Ester foi uma mulher que verdadeiramente consagrou-se ao Senhor, ela era, sem dúvida, repleta do Espírito Santo (Et 4.16). Ela tinha algo dentro dela que sobrepuja-lhe todos os seus sentimentos e todas as suas fraquezas. Algo tão profundo que sustentava sua confiança em Deus. Ester buscava a face do Senhor através de jejuns e de orações, e tinha uma intimidade profunda com Ele”.
3.2. Josafá buscou a Deus com oração e jejum. Os exércitos dos amonitas e moabitas, além de alguns outros, ameaçaram o Reino do Sul. Com a união desses povos, o exército inimigo tornou-se bem superior ao do Reino do Sul (2Cr 20.2). Receoso, Josafá orou, buscou a ajuda de Deus e decretou um jejum nacional. O povo de todas as cidades de Judá se uniu para buscar a ajuda do Senhor. Josafá, diante do cerco dos inimigos, voltou-se para Deus, que o socorreu (2Cr 20.3,4).
Bispo Abner Ferreira (Transformando as Adversidades em cenários de Milagres e Vitórias: Lições de como heróis superaram os desafios em tempos de escassez, guerras e angústias. Editora Betel, 2020, p. 88): “Assim com Josafá, aproxime-se de quem te fortalece nos momentos difíceis, não se afaste do Senhor Deus! […] Utilizando as armas da oração e jejum, Josafá se fortaleceu e pôde encontrar em Deus proteção contra o inimigo, que marchava confiante. Nenhum dia é igual ao outro, mas você pode fazer de todos uma conquista”.
3.3. Daniel jejuou por amor à sua nação. Daniel meditava nos escritos do Profeta Jeremias, que diziam que Jerusalém teria que ficar em ruínas durante setenta anos. Mesmo morando no palácio, Daniel não se esqueceu de suas origens e continuava a amar o seu povo. Então, ele recorreu ao Senhor Deus: orou com dedicação e sinceridade, vestiu-se de panos de saco, e jejuou sobre cinzas, derramando o coração e abrindo a alma para Deus (Dn 9.2.3). A ruína de Jerusalém levou o profeta à angústia de alma, que ele expressou a Deus com jejum e oração.
Bispo Primaz Manoel Ferreira (Revista Betel Dominical -2° Trimestre de 2005 – Lição 10): “Podemos perceber, em todo o Livro de Daniel, a razão porque este profeta alcançou muitas vitórias (Dn 9.3). Primeiro Daniel procurou, através das Escrituras, o que Deus dissera sobre o assunto. Ele possuía uma biblioteca onde estudava. Ele disse: “Entendi pelos livros”. Em seguida orou, jejuou e rogou humilhado, vestido em pano de saco e com cinzas”.
EU ENSINEI QUE:
Jejuar é mais do que se abster de alimentos, é um propósito espiritual profundo na busca por intervenção divina.
CONCLUSÃO
Em tempos de tantas ocupações, que o Espírito Santo nos ajude a priorizar em nosso viver momentos de oração e jejum, como expressão de um sincero interesse em buscar primeiro o Reino de Deus, nossa dependência completa da graça do Senhor, buscar aguçar nossa sensibilidade espiritual, procurar conhecer e receber mais do Senhor e o desejo em exercitar a autodisciplina.
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